quinta-feira, 3 de julho de 2014

Pontos de vista

"Ah... 'tá bem, não percebeste..."
O típico lamento daquele jogador de futebol ocasional, logo após mandar um estoiro na bola, na direcção de um espaço vazio, mas que ele considera alcançável por um colega de equipa, quando toda a gente vê que ninguém neste Mundo apanhava aquele "passe", antes de sair, sem ajuda de uma mota (e das potentes)! Eu percebi bem, percebi perfeitamente que fizeste um passe de m*rda e que queres convencer toda a gente que a bola só se perdeu porque eu não consegui antecipar o teu pensamento nem consigo correr a 983Km/h.

"Ai vale bujas?!"
Indignação típica daquele jogador de futebol ocasional, que detesta ir à baliza, que sempre que lá vai é frango atrás de frango, mas que não quer dar o braço a torcer e quer passar a imagem de que a bola só entrou porque ele não se aplicou a fundo, propositadamente, porque pensava que não valia rematar com toda a força. Escusado será dizer que os remates são pouco mais que frouxos, e que se ele não se desviasse com medo da bola era mais que suficiente para defender.

"Fogo, estou ali desmarcado há meia hora!"
Reclamação típica do jogador de futebol ocasional, que não se mexe para receber a bola dos colegas, mas passa o tempo todo atrás de um defesa, com o braço no ar a pedir a bola, julgando que a bola lhe pode ir parar aos pés por tele-transporte.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Diz-me como utilizas um agrafador e dir-te-ei quem és!

Toda a gente já passou por aquele desafiante momento em que tem que utilizar um agrafador para agrafar (quem diria) um conjunto de folhas de papel. Juntamos meia dúzia de folhas, sejam elas todas partes de um documento, sejam vários documentos independentes mas que dizem respeito ao mesmo assunto, e o passo seguinte é: "agora é só agrafar isto e já está".
Não está. Nunca é "só agrafar isto". Pelo menos nunca com esta leviandade que a expressão pode insinuar. Na verdade o sucesso do processo de agrafar um molho de folhas requer a concretização de uma quantidade de procedimentos intermédios, todos eles com potencial mais que suficiente para transformar o "só agrafar isto" num pesadelo.
Comecemos pelo princípio: "onde é que está o agrafador?". O agrafador nunca está num sítio prático. Eu acho que o agrafador é tão embaraçante que as pessoas depois de utilizá-lo atiram aquilo para os sítios mais recônditos do escritório, ou da casa, na esperança de não precisar de voltar a utilizá-lo nos próximos meses. Claro que após umas horas precisamos dele outra vez, e lamentamos não saber onde o pusemos. Mas lá o encontramos. O único agrafador que existe ali nas redondezas. O que é uma pena, porque o agrafador é daqueles minúsculos, daqueles para a escola primária, e precisamos de agrafar 20 folhas de papel todas juntas. E agora? Bem, agora vamos lá ver se estes agrafos anões dão para isto. Seguramos as folhas com uma mão, enfiamos o canto do molho de folhas na boca do agrafador e com a outra fazemos força para fechar o agrafo, o polegar em cima e o resto dos dedos em baixo. Bonito serviço, o agrafo ficou todo torto...! De um lado o braço do agrafo anão nem chegou a sair do outro lado do molho de folhas, e do outro saiu e ficou todo dobrado sobre si, em vez de ficar a abraçar as folhas. Temos que tirar este agrafo e tentar outra vez. O melhor é utilizar um daqueles instrumentos enigmáticos que parecem os dentes de um vampiro, que dizem que serve para tirar agrafos. Mas não me venham com coisas, ninguém tem uma coisa destas! Eu sei que a esmagadora maioria das pessoas usa um porta-minas, com aquela pontinha metálica por onde sai a mina. E resulta. Conseguimos tirar o agrafo, só com um arranhãozito ou dois nos dedos. E agora vamos lá tentar agrafar isto outra vez. Pousamos as folhas em cima de uma mesa, com o canto na boca do agrafador, mas desta vez espetamos uma murraça no agrafador. Espalham-se as canetas todas, a garrafa de água vira-se por cima do teclado do computador e o telemóvel esbardalha-se todo no chão, abre-se a tampa e a bateria sai disparada. Mas pelo menos agrafámos as folhas... Mentira! O agrafo desta vez nem furou as folhas, ficou todo encarquilhado ao cimo das folhas. No máximo fez um furito na primeira página.
Eu acho-lhe uma graça...!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Virado para a frente ou para trás?

Nos parques de estacionamento dos supermercados os lugares estão distribuídos em filas aos pares, sendo que um dos lados (normalmente a frente do carro) fica virado e encostado ao carro da outra fila e o outro lado (normalmente a traseira do carro) fica virado para a estrada.
E aquele pessoal que vai ao supermercado e estaciona o carro de marcha atrás, ou seja, com a mala virada para o carro de trás...?
Ai não? Não tem problema nenhum...?!
Então reparem no seguinte: não cabe um carrinho de compras entre dois carros estacionados lado a lado, muito menos cabe entre um carro e o carro de trás! Agora imaginem uma destas pessoas que estaciona com a traseira do carro virada "para dentro" a chegar ao pé do carro com um carrinho de compras (daqueles cujas rodas estão sempre viradas cada uma para seu lado) a abarrotar.
Os mais crentes ainda tentam passar com o carrinho das compras até à mala. Dão duas mocadas de um lado, duas mocadas do outro, e chegam à conclusão de que aquilo não passa. Mais quatro mocadas para sair e uns olhares comprometidos para ver se não vem lá o dono do carro do lado, deixa o carrinho no meio da estrada e vai abrir a mala do carro. Curiosamente, a mala nem sequer abre completamente porque os carros estão tão encostados que a mala a porta da mala, a meio, bate no carro de trás...! De qualquer das formas é vê-los a carregar sacos de compras de um lado para o outro, tantas vezes quantos os encontrões com as costelas nos espelhos retrovisores.
Tem cá uma graça...!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As máquinas de pagamento automático

Uma farsa, é o que as máquinas de pagamento automático são!
Até custa a crer que um país que inventou a Via Verde e que tem um dos melhores sistemas de Multibanco do Mundo (mesmo sem ter dinheiro para poder usufruir de todas as suas potencialidades) tenha terminais de pagamento automático que funcionam, em dias bons, miseravelmente.
Quantos de vocês não chegaram já a um posto de abastecimento de combustível, com 8, 10 ou 12 bombas, e, com o intuito de demorar ali o menor período de tempo possível, pensam "é isso mesmo, vou utilizar a máquina de pagamento automático e assim escuso de ir lá para dentro para a fila para pagar"...? Enganam-se! A máquina de pagamento automático, que acabou de funcionar com o cliente anterior, vai devolver-vos aquele irritante "OPERAÇÃO ANULADA", já depois de introduzirem o cartão e o código. E lá vão vocês para a fila para pagamento, que entretanto tem mais 17 pessoas do que quando chegaram!
Seguem viagem, pela auto-estrada, e à saída não têm uma única caixa com uma pessoa humana, só máquinas de pagamento automático. Já conhecemos de trás para a frente a lenga-lenga: "EFECTUE PAGAMENTO" - e metemos o cartão Multibanco ou as moedas, todos lampeiros; "RETIRE CARTÃO" - já está, pensamos; "CARTÃO NÃO LIDO" - fod*-**!!
Eu acho-lhe uma graça!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Caixa d'óculos

Hoje em dia há cada vez mais gente a usar óculos.
Uns porque vêem mal, outros porque está na moda e acham 'cool' usar óculos... a verdade é que muita gente usa. E, inevitavelmente, para todos chega o dia em que deixam de se importar com a limpeza dos óculos, mais cedo ou mais tarde.
Nos primeiros dias é vê-los com a caixinha dos óculos atrás, aquela toda mariconça, onde guardam cuidadosamente os óculos sempre que os tiram, bem dobradinhos, qual peça de bijuteria de valor inestimável. E quando os utilizam, a caixinha transforma-se no melhor amigo dos caixa d'oculos caloiros. Parece quase uma daquelas maletas dos investigadores do CSI, com luvas de latex, sprays de limpeza e panos de camurça impecavelmente acondicionados e limpos. De meia em meia hora é vê-los sacar do frasquinho do spray de limpeza, mandar 1 borrifadela em cada lente, de cada lado, e de seguida passar entre 3 a 5 minutos a esfregar com o paninho de camurça, até terem a certeza de que não há vestígios de impurezas nas lentes. E se por acaso, antes da próxima meia hora passar, calha a prender-se uma pestana ou um grãozito de poeira numa lente, toca de sacar do spray e do paninho, ou do segundo paninho, no caso do primeiro ainda estar ligeiramente húmido.
Isto é tudo muito bonito para quem usa óculos há 2 ou 3 dias, e pensam que vão tratar os óculos dessa forma a vida toda, que não custa nada e tal... Mas a verdade é que na 2ª semana o spray é substituído pelo belo bafo nas lentes, até ficarem suficientemente embaciadas, e o paninho é substituído pela t-shirt, ou pela manga da camisola. Os 5 minutos de esfrega passam a 15 segundos, só para tirar o maior e 'tá a andar...
A partir da 3ª/4ª semana (é variável, há muita gente esquisita por aí) os óculos deixam de ser limpos. Às páginas tantas temos um amigo a dizer "mas tu consegues ver alguma coisa com esses óculos?!" só porque as lentes parecem o vidro de uma cozinha dos chineses, cheias de gordura e pêlos de cão. E depois? Ainda se consegue ver razoavelmente em cerca de 13% da área da lente, está bom! Se estiver mesmo muito mal, manda-se 2 baforadas e siga.
Ai não custava nada limpar os óculos de vez em quando? Experimentem andar com aquela caixinha mariconça sempre atrás para ver o jeito que dá... eu acho-lhes uma graça!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O truque da azeitoninha

Certamente já toda a gente passou pela situação de estar num restaurante em que a comida não é servida empratada mas sim distribuída prato a prato pelo empregado, pela esquerda do cliente se o empregado for destro, o que acontece em 95% dos casos.

Por vezes estamos com pouca vontade de comer, ou achamos que não devemos comer muito naquela refeição, ou não gostamos muito do prato que está a ser servido (isto acontece muito em casamentos, rodízios, etc) e pedimos ao empregado só "só um bocadinho para provar".
Meus amigos, isto é o que todo o empregado de mesa quer ouvir!
Imediatamente o empregado pega na porção mais pequena possível do que está na travessa e põe no nosso prato, largando de seguida um sarcástico "chega?", acompanhado de um sorriso triunfal.
Se o prato contém batatas fritas escusado será dizer que ele vai servir-nos só uma batata, a mais pequena da travessa. Pratos com azeitonas é o preferido deles, uma azeitoninha isolada e triste no meio do prato tem um efeito monumental no sucesso desta piada. Os mais habilidosos arriscam até um par de grãos de arroz, mas isto já não é para todos.

É engraçado, confesso. Das primeiras 3 ou 4 vezes. Mas o que acontece é o seguinte:
Esse é o caso para o empregado. A não ser que seja um cliente de longa data (e esses não pedem só bocadinhos para provar), qualquer cliente "novo" que o peça vai levar com a azeitoninha, porque para o empregado é a 1ª ou 2ª vez que serve esse cliente. Só que esse cliente pode já ter sido alvo do truque da azeitoninha milhões de vezes antes. Sim, porque o truque da azeitoninha é como o doce da casa, é igual em todas as casas!
O que eu sugiro é virar o feitiço contra o feiticeiro. Como? Simples. Basicamente o procedimento tem 3 passos:
  1. Se não for num casamento, pedir um prato que tenha na sua constituição, batatas fritas, arroz ou pelo menos azeitonas.
  2. Esperar tranquilamente que o empregado venha com a travessa para a nossa esquerda e pedir educadamente "dê-me um bocadinho só para provar, sff".
  3. Assim que ele solta o sorriso triunfal, depois de ter posto a azeitona sozinha no meio do prato, responder com um "está bom, obrigado" e devolver um sorriso tão grande ou maior que o dele.
Nível avançado: no passo 3. responder com um "está bom, obrigado, mas troque-me esta azeitona por aquela mais pequenina por favor".

E é vê-lo a voltar para a cozinha em passo acelerado, tentando manter a travessa equilibrada nas mãos escorregadias do suor gerado pelo calor que a fúria provoca e praguejando por dentro como se não houvesse amanhã.
Experimentem.
Eu acho-lhes uma graça...!

quinta-feira, 6 de março de 2014

O doce da casa

"Olhe desculpe, o que é que tem o doce da casa?"

Eu acho-lhes uma graça...!!
As pessoas ainda não perceberam que "doce da casa" não é um nome que identifica unívocamente uma sobremesa diferente em cada estabelecimento de restauração mas sim o nome da sobremesa, que é igual em todo o lado. Eu calculo que este facto ainda surpreenda muita gente mas é verdade, é sempre a mesma!
Ninguém cujos pais não sejam primos direitos chama o empregado e pergunta "o que é que tem a mousse de chocolate?" ou "o que é que tem o leite creme?"... não faz sentido. Toda a gente sabe que a mousse de chcolate tem chocolate, o leite creme tem leite e o doce da casa tem leite condensado, ovos, bolacha e natas.
Que quem inventou a sobremesa lhe tenha chamado "doce da casa" possa não ter sido muito feliz, é verdade... mas eu também conheço uma pessoa que é natural da localidade de Panascos e os outros não andam sempre a perguntar-lhe "olhe desculpe, que tipo de pessoas é que vive em Panascos?".
"Ah, que engraçado, a senhora chama-se Maria José... deixe-me perguntar-lhe, a senhora é homem ou mulher?". Isso, experimentem. Deve ser bonito. Tão bonito quanto perguntar ao empregado o que é que tem o "doce da casa"...
Se calhar, a pessoa que inventou o "doce da casa" fê-lo, vá, em casa e achou por bem dar-lhe o nome do local de criação. Isso não significa que a sobremesa mude de constituição de sítio para sítio. Eu quando fui a Inglaterra por acaso apresentei-me como John, ou em Itália como Giovanni? Era o que faltava!
Eu podia perfeitamente inventar uma sobremesa com farinha, ovos moles e gelado de baunilha e chamar-lhe "delícia de morangos do nordeste". É um nome.
"Ah, mas esse nome não tem nada a ver com a sobremesa". Ai não? Não é deliciosa, queres ver?
"Não" Ai não? Então come menos. Ou então pede um doce da casa.

terça-feira, 4 de março de 2014

As cedências de lugar

Nunca se sentem naqueles lugares reservados a pessoas grávidas, idosas ou com deficiência física nos autocarros. Aquilo são autênticos bancos de fuzilamento. Sim, fuzilamento. Senão vejamos:

Normalmente esses lugares são constituídos por 2 pares de bancos, logo à entrada do autocarro, frente a frente, formando uma espécie de espaço de convívio rodoviário. 
Se te sentas num desses lugares, estando os outros 3 ocupados começas logo por ser fulminado com aquele olhar (apenas o olhar, se tiveres sorte) de quem pensa "Olha-me este artolas! Preguiçosão, não pode ir 5 minutos em pé... deve estar muito cansado, coitadinho! Eu com a idade dele já tinha 11 filhos e andava a surribar de manhã à noite!"... e ai de ti que peças, mesmo que educadamente, se podem desviar ligeiramente as hortaliças para te sentares. O mais provável é transformarem o olhar fulminante numa sequência inesgotável de adjectivos pejorativos acerca da tua educação, humildade e civismo, talvez o menos mau sendo "estadulho". No limite, se tiveres o azar de te sentares num desses lugares, pedindo para desviarem as hortaliças e abrires ou fechares a janela levas logo dois calduços que nem sabes de que terra és!
E porquê? Obviamente porque tu não és nem idoso, nem grávido nem deficiente físico e por isso, mesmo que não esteja ninguém em pé, tu também não te podes sentar ali. É assim que funciona.
A tua única hipótese é seres o primeiro a ocupar um desses lugares. Nesse caso, quando chegarem mais "pretendentes" tu já estás sentado e não tiveste que pedir a ninguém para desviar hortaliças e já tiveste a oportunidade de abrir ou fechar a janela.
Mas não te iludas, os donos desses lugares vão chegar, mais cedo ou mais tarde, e vão ser sempre mais do que os lugares disponíveis nesse espaço. O melhor é levantares o rabinho e ires lá para trás, para outro lugar qualquer, sem abrir a boca, assim que não houver nenhum dos 4 lugares vago.
Se chega uma 5ª pessoa, grávida, idosa ou deficiente física, tu vais ter que lhe perguntar se quer sentar-se no lugar que estás a ocupar. E acredita, não vais querer passar por isto num autocarro...
"Bom dia. Sente-se aqui neste lugar por favor."
"Está a chamar-me velha?! Eu ainda me aguento bem das canetas! Se for preciso ainda lhe dou dois pontapés no rabo!! Olha que esta...!"
"Eu por acaso estou grávida?! Desculpe se não pareço uma top model anorética dessas que você deve passar a vida a procurar na internet, em vez de estudar!! Olha que esta...!"
"Deficiente deve ser você mas é da cabeça! Eu não sou inválido! Lá porque uso uma bengala já não consigo estar em pé, queres ver?! Olha que esta..."

Ah, e nem penses em manter-te sentado no mesmo lugar. Qualquer uma destas respostas tem implícito um "Desaparece-me da frente que eu quero-me sentar aí!"... eu acho-lhes uma graça!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A salada

Hoje de manhã ouvi o Ricardo Araújo Pereira falar nas pessoas que cortam parvamente o pão. Devo começar por dizer que partilho da mesma opinião e defendo até que essas pessoas deveriam ser obrigadas a comer pão de forma para o resto da vida!

Mas não posso deixar de fazer um comentário sobre as pessoas que servem a salada no mesmo prato da feijoada... mas o que é isto?!

Eu adoro salada, seja ela do que for, tenha ela o que tiver, desde que seja em modo de compatibilidade com o conceito de salada. Tomate, alface, cenoura, cebola, rúcula, queijo, azeitonas, cogumelos, milho, pinhões, frango desfiado, costeleta de novilho, etc... vai tudo bem.
Agora, misturar a salada com a feijoada, cheia de molho, mais quente que a água do chá, isso não! Aquilo fica tudo cozido. A alface fica a parecer esparregado, o tomate parece um diospiro, até o milho quase se transforma em pipocas... e nada disto vai bem numa salada!

Para aqueles que chegam ao fim deste texto confusos porque acham que "salada" é um sinónimo de "alface", só tenho uma coisa para vos dizer... mãe 'da Deus!!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

As faixas dos autocarros

A utilização que os motoristas de autocarros fazem das faixas de circulação para autocarros é engraçada...

Quando uma rua com duas faixas, uma de circulação normal e uma de circulação para autocarros, táxis e bicicletas, chega a uma curva ambas as faixas passam a ser faixas de autocarros. Sim, porque obviamente um autocarro não consegue fazer a curva sem ocupar as duas faixas. Até aqui tudo bem. Mas esse facto não dispensa os senhores motoristas de autocarros de terem cuidado com os carros ou motas que vêm na faixa de circulação normal! A faixa de circulação para autocarros não permite fazer uma curva ocupando totalmente a faixa do lado (a dos carros e motas) sem fazer pisca previamente assinalando que se vai ocupar aquela faixa e muito menos quando existem veículos nessa faixa!

Se um carro se coloca na faixa de circulação para autocarros porque eventualmente está próximo de uma saída à direita dessa rua é instantaneamente um maçarico que não sabe o código da estrada, leva com máximos durante 10 minutos, buzinadelas em ritmo bélico e claro, vai com o autocarro colado no vidro de trás até virar para a direita.

Se um autocarro vai numa dessas faixas privilegiadas e quer fazer uma curva está à vontade. Quem vier lá que se desvie (não sei para onde) ou páre, porque o autocarro pode fazer o que quiser, é grande.

Vou revelar uma coisa. Acirculação nas faixas reservadas aos autocarros não é regida por um código diferente, segundo o qual se tem prioridade sobre todos, sejam quais forem as circunstâncias.

E agora vou fazer uma sugestão. Façam como eu: quando vou numa rua com a faixa de circulação normal e a faixa de circulação para autocarros, ao aproximar-me de uma curva vejo se vem lá algum autocarro perto da curva também. Se não vier sigo caminho, desapontado. Se vem lá algum autocarro eu abrando a marcha, de forma a que quando o autocarro chegar ao momento de ocupar a faixa do lado para fazer a curva estou lá eu... e faço a curva mesmo devagarinho, por razões de segurança, obviamente. E também para chatear os motoristas dos autocarros.

Até hoje nenhum chegou a bater-me, o que é uma pena porque preciso de pintar o meu carro...!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O salame de chocolate

O salame, aquele de chocolate, delicioso, é muito simples de fazer. Mas deve ser dificílimo de moldar!

Um dia destes, por altura do aniversário de um amigo, alguém descrevia como fazer um salame de chocolate:

"Amolece-se o chocolate com água quente e junta-se a manteiga e as bolachas trituradas. Junta-se o açúcar e as gemas, mistura-se tudo muito bem numa tigela até ficar pastoso e depois faz-se um rolo e embrulha-se em papel vegetal."

E eu faço a pergunta pertinente "Mas se a massa fica maleável quer dizer que se pode moldar de qualquer forma, certo?"

"Sim, podes depois fazer da forma que quiseres..."

"Eu acho-lhes uma graça...! Então porque é que toda a gente faz da mesma maneira?"

"Errr..."

"Pois, não tinhas pensado nisto pois não? Já para não falar do papel de alumínio, que só serve para ficar agarrado ao salame."

"...(silêncio)..."

João 15 - 0 Fazedores de salame

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu acho-lhes uma graça...!

Em dias de greve geral há sempre um ou outro autocarro a circular. Nunca falha.

O que também nunca falha é o autocarro passar por mim quando estou a meio caminho entre duas paragens. Estou numa, à espera do autocarro, passam 10 minutos, 15 minutos, 20 minutos, nada... o que é que faço? Isso, vou andando a pé. Exactamente no ponto médio, entre a paragem onde estava e a paragem seguinte, o que é que acontece? Exacto, passa o autocarro. E como se não ficasse fod... aborrecido o suficiente, o motorista ainda faz questão de abrandar ao passar por mim para que possa ver bem aquele sorriso sarcástico, como quem diz "Ai gostas de escrever piadinhas sobre autocarros, não é?"...

Ah, e nunca mais tenho a brilhante ideia de chegar à próxima paragem e ficar de novo à espera. Aposto que os motoristas comunicam entre si e planeiam os seus percursos ao pormenor de forma a que passe um autocarro por mim entre cada duas paragens, durante todo o percurso!

Eu acho-lhes uma graça...!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Os lugares de estacionamento

Eu não percebo qual é a dificuldade que certas pessoas têm em estacionar o carro dentro das linhas que delimitam esses lugares, como nos parques de estacionamento dos hipermercados, por exemplo.  Acreditem, por mais pequeno que pareça é espaço suficiente para estacionar o carro.
Se calhar o problema é esse. Há pessoas que não sabem a diferença entre estacionar e parar o carro. Também pode acontecer que essas pessoas, pura e simplesmente, não saibam estacionar. Eu opto sempre por considerar esta 2a hipótese. E no seguimento disso faço aqui um forte apelo às entidades responsáveis para que os exames de condução passem a incluir obrigatoriamente uma rápida visita a um hipermercado e um estacionamento desses. Sim, porque eu gostava de saber quantas vezes é que um condutor faz contornos de passeio durante a vida... muito menos vezes do que tem que estacionar o carro, aposto!
Também faço aqui uma sugestão a estes condutores: experimentem ir a um restaurante e pedir para vos servirem metade do arroz e das batatas dentro da travessa e a outra metade dentro da travessa do gajo do lado... deve ter cá uma graça!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O caloiro

E aqueles meninos que nunca andaram de autocarro, até ao dia em que se lhes acende uma luz vermelha no painel do carro. Vão todos lampeiros à oficina a pensar que é só mudar um tubo qualquer de borracha (como se fosse possível ser só isso alguma vez) e, claro, o carro tem um problema grave no radiador, é preciso desmontar aquilo tudo e esperar por peças que vêm não sei de onde... o carro tem que lá ficar uns dias. É o PÂNICO!

Logo para começar, este "caloiro" liga aos pais, porque obviamente não faz ideia de qual autocarro pode apanhar para ir da oficina para casa, e muito menos faz ideia de como o deve fazer. O que é certo é que apanha boleia dos pais nesse dia e só no dia seguinte tem que enfrentar o perigoso Mundo dos autocarros.

Chega à loja dos autocarros e diz à senhora que quer senhas de autocarro. Logo aqui se vê que se andou de autocarro foi uma vez ou duas na vida, ainda no tempo daquelas senhas amarelas de estraçalhar (ver http://pensaregratisachoeu.blogspot.com/2013/09/a-guilhotina.html), e sempre acompanhado por um adulto. Já não há senhas, há cartões que se carregam com viagens à medida que se vão gastando. Surpreendentemente, à pergunta da senhora "Já não tem viagens no cartão, mas tem aí o cartão?" responde "Não... as viagens acabaram e deitei-o fora". Boa, afinal já tinha andado de autocarro com os cartões de senhas... não sabia é que funcionavam como tal, pensava que eram como as senhas e quando acabaram as viagens deitou-o fora... -.-'
Confiantes, dispara um "Não faz mal, eu compro outro. Dê-me um cartão com senhas para o autocarro 6, se faz favor". Bonito. A senhora não sabe se há-de rir ou ficar chateada. O que é que se faz a uma pessoa que acha que as senhas são específicas para cada autocarro... se calhar acha que era prático andar com um catálogo de senhas de autocarro, tantas quantas as linhas que existem, e perder metade dos autocarros por andar à procura da senha certa na paragem!
Lá consegue comprar o cartão com as senhas, vai para a paragem. Felizmente está lá aquela senhora, com o saco das hortaliças aos pés, que lhe diz qual o autocarro que deve apanhar e a hora exacta a que chegará aquela paragem. "Afinal isto até é fácil", pensa. Mas quando o autocarro chega, entra à frente de toda a gente, senta-se ao lado de uma senhora que ia à janela e abre-a, sem perguntar nada a ninguém... é o FIM!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A janela aberta ou fechada?

Eu acho que os autocarros deviam ter espaços diferenciados, tipo fumadores/não fumadores, mas para pessoas friorentas/calorentas.

Em dias de muito frio, ou de muito calor não há grande problema, a grande maioria das pessoas está de acordo quanto ao estado em que devem permanecer as janelas do autocarro: se está muito calor deixa-se a janela aberta, se está muito frio deixa-se a janela fechada. O problema surge quando não está frio nem calor... os friorentos querem a janela fechada porque acham que está frio, os calorentos querem a janela aberta porque acham que está calor.

É engraçado ver a luta, qual disputa territorial, pelo controlo de uma janela de autocarro. Entra uma destas senhoras friorentas e senta-se imediatamente ao pé de uma janela que está aberta, não sem antes a fechar. Mesmo que todos os lugares estejam vazios e todas as janelas fechadas excepto uma, esta senhora senta-se ao pé da janela aberta, só para a poder fechar, como que reservando aquela janela. Depois entra pelo menos uma outra senhora, calorenta, que sem desconfiar que aquela janela já está "reservada", pergunta se pode abri-la... doidinha! Os mais corajosos nem perguntam, abrem logo a janela sem dizer nada. Em menos de nada estão a levar com uma hortaliça na testa que é para não se armarem em espertos. Vá, se calhar estou a exagerar, mas de um "Olha-me esta, está com os calores!" não se safam, o que, convenhamos, dito entre senhoras pode ser constrangedor... e é ver este ritual de paragem em paragem, enquanto esta senhora colecciona "troféus", que é como quem diz, pessoas sentadas à sua volta a transpirar que nem doidas mas caladinhas que nem ratos.
Claro está que quando a "dona do pedaço" finalmente sai do autocarro aquela janela passa a ser controlada por uma destas que tinha levado com uma hortaliça na testa. Libertando toda a sua raiva e indignação, quando a primeira senhora entra a pedir para fechar aquela janela que está frio, não sai menos que um corrosivo "Olha olha... esta não tem quem a aqueça!"

Agora que penso melhor, é melhor manter os espaços indiferenciados no autocarro, é mais divertido!