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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Que horas são?

Já dizia o Einstein, aquele físico alemão de bigode, que o tempo é relativo. E de facto é.
E nem sequer é preciso grandes contas para demonstrar a teoria. Basta ir a um serviço de atendimento público.

Precisamos de ir à Segurança Social pagar qualquer coisa. Muito bem, a hora de encerramento é 16:30. Chegamos lá às 16:12, mais de 15 minutos antes da hora de fecho. O que vamos fazer não demora mais de 3 minutos. "Ah, desculpe mas fecha às 16:30. Já não podemos atendê-lo." - "Mas ainda não são 16:30, não fecha só às 16:30?" - "São praticamente 16:30, já fechou. Desculpe mas vai ter que voltar amanhã. Abrimos às 8:30."
No dia seguinte de manhã, chegamos lá às 8:25, para sermos dos primeiros a ser atendidos. Chegam as 8:30, a porta fechada. Passam 5, 10 minutos, nada. Às 8:49 a porta abre. "Então não abria às 8:30?" - "Sim, são praticamente 8:30. Quem está primeiro?"

Eu acho-lhe uma graça...!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A porta

Há uma questão que me intriga desde que comecei a andar de autocarro (já lá vão testículos e testículos de anos): Qual o número máximo de pessoas que deves deixar entrar no autocarro à tua frente, antes de tu próprio entrares?

Não sei se esta pergunta alguma vez terá resposta... Imagina, chegas à paragem de autocarro e está um monte de pessoas na paragem, mas não estão a formar nenhuma fila ordenada. Como não se sabe quem vai apanhar qual autocarro, pões-te na paragem, junto das outras pessoas. O autocarro que queres apanhar vem, e pára com a porta de entrada não exactamente à tua frente mas pouco ao lado (ver post anterior sobre a zona de paragem dos autocarros e respectivas portas). As pessoas aglomeram-se em volta da porta de entrada, mas não há uma ordem definida. Se entras à frente de toda a gente, és o arrogante lambuças, que não respeita ninguém e só quer ir à frente para apanhar um lugar sentado (ainda por cima depois ficas com o dilema de quantas vezes deves perguntar à senhora idosa se quer sentar-se naquele lugar). Se ficas ali especado a ver os outros passar, os que estão imediatamente atrás de ti começam logo a barafustar, que aquilo não é sítio para estar espantalhado a olhar, levas com 3 hortaliças no lombo e ainda ouves "nem bigode tens para levar dois estalos, sai-me da frente!"...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O passe

Apesar de tudo tenho algum carinho por aquelas senhoras e senhores idosos que fazem questão de não tirar o passe do autocarro da carteira ou do bolso das calças para o passar na maquineta junto ao motorista para validar a viagem. Afinal é uma forma de aproveitar o autocarro para fazer um pouco de exercício.

As senhoras parecem um halterofilista. Levantam a carteira, vezes sem conta, à espera do "piiii" que sinaliza que a viagem foi validada e que podem ir pousar as hortaliças para se sentar a ver quem entra, e se o carro sai à hora certa! Como não sabem exactamente em que ponto da carteira está o passe do autocarro, de cada vez que levantam a carteira põem-na de forma diferente encostada à maquineta. Levantam-na sempre um pouco mais ou um pouco menos do que na vez anterior e ligeiramente rodada, de forma a que a pequena área que realmente fica encostada à maquineta seja sempre diferente. Normalmente, acertam no sítio onde está o passe após uns 12 ou 13 levantamentos, quando já quase toda a área da carteira foi encostada à maquineta. O que vale é que que as hortaliças estão no outro braço a fazer peso, para compensar.

Atrás desta senhora está um senhor idoso, de bigode, que obviamente já está farto de esperar e lança o clássico "uma carteira tão grande para não saber onde estão as coisas". Claro que, quando chega a vez dele, o que é que faz...? Isso! Demora tanto ou mais tempo que a senhora da frente! Como faz questão de não tirar o passe do autocarro do bolso da camisa, é vê-lo encostado à maquineta, a roçar-se todo, qual dançarina do varão, até ouvir o apito da máquina. E isto quando não traz o passe no bolso de trás das calças...

E é isto. Sempre. Todos os dias.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os "picas"

Já experimentaram fazer de conta que ficam nervosos quando vêm os revisores dos autocarros, vulgramente conhecidos como "picas", entrar? Experimentem parecer irrequietos quando eles olharem para vocês, se tiverem uma mochila ponham-na imediatamente às costas e NÃO tirem a senha (o objectivo é fazê-los crer que não a têm). É vê-los a comentar um com o outro (imagino eu que seja qualquer coisa do género "Olha, já apanhámos um. O espertinho de camisola azul lá atrás. Já lhas conto!"), enquanto dão aquela cotoveladazinha da cusquice. Vão percorrendo o autocarro, fixando o meliante a cada 3 ou 4 segundos. Passam pela frente do autocarro, onde dizem "Bom dia, como vai a senhora? Posso ver a sua senha?" a todas as velhotas com os sacos das hortaliças. Muitas delas ainda eles não chegaram ao pé delas já estão de BI na mão a gritar "OLHE AQUI SENHOR, OLHE AQUI!!", com um entusiasmo tal que se vê logo que não pagam as viagens de autocarro por terem uma idade avançada. Depois passam pelo senhor de bigode, que não os viu porque estava atrás do seu jornal, e dizem "Muito bom dia cavalheiro. Importa-se de me mostrar o seu bilhete de viagem?". À medida que se aproximam da parte de trás do autocarro o sorriso sarcástico vai aumentado nas suas caras... "já não escapas", devem pensar. De cada vez que olham para mim desvio o olhar na direcção da porta de saída e mexo-me ligeiramente no banco. Já vêm doidinhos... Chegam ao fundo do autocarro e dizem com um ar irónico: "Jovem, não me queres mostrar a tua senha?". Admitam que a palavra "jovem" neste contexto tem um significado altamente redutor e intimidatório! Ao que respondo "Com certeza." enquanto tiro a senha da carteira, devidamente marcada com aquela viagem. Acreditem, cai-lhes o Mundo aos pés!! Experimentem, antes de mostrar a senha, fingir que não a encontram: "Olhe, não a encontro...não sei o que aconteceu...". Mas cuidado, não é aconselhável fazê-lo se forem sozinhos, até porque eles andem aos pares (o que é por si só uma boa questão, que fica para uma próxima oportunidade).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fast & Furious

Os motoristas de autocarro têm indicações expressas para fazer toda e qualquer curva exactamente à velocidade máxima possível antes do capotamento. Não é pemitido a um motorista de autocarro, em serviço, fazer uma curva de forma suave. É contra o regulamento da profissão (o mesmo que obriga a passar por cima de todas as poças de água).

E vejam onde chega a ironia. Se entra uma senhora idosa, com dificuldades de mobilidade, o senhor motorista espera pacientemente que esta senhora escolha o seu lugar e se acomode. E olhem que normalmente estas senhoras nunca escolhem o lugar mais perto da porta!

Eu tenho para mim que a experiência as ensinou que, se demorarem mais a sentar-se o motorista espera porque as viu entrar, e por isso vão sentar-se mais perto da saída. Se inadvertidamente se sentam perto da porta de entrada para não fazer esperar o senhor motorista, depois quando quiserem sair, como o motorista já não se lembra delas e não as vê pelo espelho retrovisor (ele procura pessoas em movimento e estas senhoras "andam quase paradas"), vai-se embora antes delas conseguirem chegar à porta de saída, o que imediatamente dá início a uma adjectivação muito própria do motorista por parte destas senhoras.
- "Olha que lambuças!"
- "Oh patego!! Espera aí!"
- "Oh senhoooooooor!"
- "Humm!! Era quem te desse 2 lostras!!"

Mas voltando ao que interessa, na minha terra isto chama-se cinismo! Quer dizer, se entra uma senhora assim, como toda a gente está a ver, o senhor espera que ela se sente para não cair. Quando já vai a meio do percurso, já não se importa de fazer curvas em duas rodas, não se importa com o senhor que leva com 2 hortaliças voadoras na testa, não se importa com a criança que é esmagada contra o vidro pela senhora gorda que não se conseguiu segurar, não se importa com o meu telemóvel que vai esbardalhar-se todo lá ao fundo contra os degraus nem se importa com o senhor de bigode que ia a ler o jornal e de repente leva com um computador portátil nas costelas! O que vale a este senhor é a senhora que está na paragem prontinha a indicar-lhe o plano para se deslocar ao hospital.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O plano de viagem


Os senhores dos SMTUC nunca pensaram no dinheiro que podiam poupar em horários de autocarros, de certeza. Em vez de imprimirem horários em papel de todas as linhas e de pôr aqueles painéis electrónicos que dizem quanto tempo falta para chegar o próximo autocarro, podiam perfeitamente pôr nas paragens aquelas senhoras que sabem os horários dos autocarros da frente para trás e de trás para a frente. Os painéis electrónicos por vezes estão errados. Diz lá que faltam 2 minutos e o autocarro só vem passado 20 minutos. E nem sequer diz porque é que está atrasado. Não dizem um autocarro alternativo que podes apanhar nem em que paragem deves sair para ires para onde queres. Estas senhoras não! Se lhes perguntarmos, fazem 2 ou 3 perguntas chave, e a seguir respondem à tua pergunta com um plano elaboradíssimo para a tua viagem. Por exemplo, perguntas a uma dessas senhoras, que facilmente identificas pelo bigode e pelo saco cheio de hortaliças:

"Sabe se o 36 já passou?"

"Oh menino! Para onde é que quer ir?"

"Para o Hospital..."

"Ah! Olhe... o 36 está atrasado. É por causa daqueles lambuças ali na estrada de Eiras... estacionam os carrinhos no meio da estrada e depois o CARRO não consegue passar! Já não é a primeira vez, ainda ontem estive aqui mais de 25 minutos à espera do carro. Ainda tinha que fazer o almoço pr'ó meu marido, que não tinha deixado as coisas prontas... atrapalha a vida toda a uma pessoa. Eu é que trago aqui uma perna toda apanhada, senão tinha-me ido embora a pé, chegava a casa mais rápido! Até vou amanhã lá a uma consulta aos Hospitais da Universidade ver o que é isto. O ano passado uma vizinha minha começou também com estas queixas, ainda hoje traz a perna que nem a pode dobrar... e ninguém sabe o que é aquilo! Mas olhe, o carro 36 só deve chegar daqui a uns 20 minutos. Tem passe? Se tiver muita pressa, pode ir a pé até ali à paragem do 2, apanha o 2 que passa daqui a 7 minutos, sai na Sá da Bandeira, ali ao pé da lavandaria, e ópois apanha o 29 ou o 6. O 29 passa lá daqui a 25 minutos, o 6 passa daqui a 32. Se não quiser andar, daqui a 7 minutos passa aqui o carro 25, que também vai para a Praça da República. Já não chega é a tempo de apanhar aquele 29 nem o 6, porque ali na Pedrulha aquilo está para lá tudo em obreas ao pé da churrasqueira e ele demora uns 10 minutos a passar lá. Eles também parece que não pensam, metem a areia toda ali mesmo junto à paragem, aquilo fica uma porcaria. Quando está a chover então é areia agarrada aos sapatos até mais não... já viu? Você parece mesmo o meu neto... essa barba é que devia ser desfeita oh menino!"

"Obrigado."

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os bigodes


Já repararam na gradação de tamanhos de bigodes que se verifica num autocarro?

Os maiores são os das senhoras velhinhas que se sentam à frente, aquelas que vão à praça. A seguir vêm os senhores de meia-idade que se sentam antes da porta de saída, por vezes escondendo os seus bigodes atrás do jornal. Depois os jovens universitários que se sentam a seguir à porta de saída, com os seus bigodes mal-semeados, porque já não são adolescentes e portanto já não se podem sentar lá atrás. E por fim, lá atrás, os adolescentes que pensam que já têm barba e bigode mas afinal são só borbulhas.

Curiosamente, esta gradação é inversamente proporcional à consciência que cada um destes "tipos" tem sobre o seu próprio bigode...