quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Nesse baile de Verão

Eu acho tudo muito bem, o beija-beija atrás da igreja e tudo  mais... mas há outras coisas de valor no bailarico de Verão. E disso ninguém fala... São coisas menores?
E o carismático jogo do prego, como é? Esse costume secular, em que cada um tenta espetar um prego de meio metro num tronco, por meio de uma martelada de cada vez, em que não é possível apontar ao prego. Um jogo em que o prémio é uma rodada de minis tem tudo para dar certo, seja ele qual for. No início é vê-los todos confiantes, escolhem bem o sítio para o próprio prego "ah, este é bom, aqui entra que nem manteiga". Pois claro... só é preciso acertar-lhe. Braço estendido, mão ao lado da perna, vai acima e abaixo num movimento só. "Ah, foi de esguelha!", "Como é que é possível?!", "Epá, isto hoje não vai lá...", "Pimba!!", "Ei, não vale apontar!!", "Isto e pegando-lhe o jeito, vocês vão ver...!", "Já está!!", "Ó Xico, dá aí mais uma mini, paga o Zé!". O Zé, ou aquele que ficar em último.  E isto repete-se até às tantas da manhã, numa maratona de marteladas, apesar de a partir do 3º jogo ser sempre "só mais este, mulher".
E a quermesse? É parente pobre? Porque é que o beija-beija há-de ser mais valioso que um pote de louça com 15 anos, cheio de pó, "muito bonito para pôr um raminho de flores"? Ou do que um caderno de capa preta, quadriculado, dos pequenos, tamanho A5? No caderno ao menos, se alguma coisa correr mal, arranca-se a página (a da frente a do fim, correspondente, que fica solta) e está o erro apagado. Se atrás da igreja alguma coisa correr mal, já não há volta a dar, já toda a aldeia viu e gritou "aperta aperta com ela".
E as bandas de qualidade? Aquelas que se começam a ouvir ao longe, mas que é preciso chegar ao pé do palco para ver e confirmar que é uma moça a "cantar" e não a matança de um porco, dos grandes! Metade das músicas começam e a reacção geral é "Que é isto?! Eu nem sequer conheço esta...". Calma, a música é conhecida. Aliás, as músicas são sempre as mesmas. Só que a interpretação é tão boa que é preciso chegar a parte do refrão para reconhecermos de que música se trata: "AH!! Afinal é esta!!".
E aquele personagem que entra em cena quando acaba a música popular e começa a "rockalhada"? Acham que é fácil aguentar tanto tempo aos saltos e às voltas, a abanar a cabeça, e ainda por cima com a camisa toda aberta, a prender-se o tempo todo na cara? Eu quero ver... se um dia destes este gajo falta ao baile com que é que o pessoal se diverte na hora da "rockalhada"?!
Eu acho-lhe uma graça...!
O que vale é que nesse caso haverá sempre o jogo do prego e a quermesse.



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